segunda-feira, 13 de novembro de 2017


ALEXANDRE ANDRES E RAFAEL MARTINI NO JAPÃO

Alexandre Andrés e Rafael Martini se apresentaram no Japão em setembro de 2017.

O povo japonês aprecia muitas coisas, e uma delas é a música brasileira. Eles são um dos maiores consumidores da música brasileira e mais recentemente, da música mineira fora do Brasil.

É um povo que valoriza a arte em geral, até hoje compram CDs para terem contato, não só com a música, mas também com os detalhes e informações contidas no encarte. Alexandre esteve na Tower Records, em Tokyo, loja de CDs de oito andares.Não se vê mais isto em qualquer lugar do mundo, pois os CDs estão em extinção, assim como os LPs (Vinil). Hoje as pessoas só escutam música na internet, mas o povo japonês continua valorizando todo o processo musical, desde a gravação até os últimos detalhes de uma produção musical.

Depois de 5 anos vendendo o seu trabalho no Japão, com a ajuda do produtor japonês Yoshihiro Narita e de ter recebido prêmio com o seu CD “Macaxeira Fields”, Alexandre foi convidado para uma tournée pelo Japão, junto ao seu parceiro, compositor e pianista Rafael Martini.Entre os dias 18 e 29 de setembro, os dois se apresentaram no Festival Onpaku, numa praça de Kyoto, para 10.000 pessoas, num templo budista na cidade de Okagama e por último em um teatro lotado em Tokyo. Nesses 10 dias os jovens artistas tiveram o seu trabalho valorizado como nunca. Os japoneses os trataram com muito respeito e admiração, muitos CDs vendidos e muitos autógrafos dados...

De volta ao Brasil, ficou a admiração e a saudade de um povo que valoriza a arte como poucos e a esperança de retornar ao Japão para reencontrar os amigos.

No dia 16 de novembro, às 20:30, na Fundação de Educação Artística, Alexandre e Rafael lançarão o seu CD ‘Haru’ (Haru significa primavera em japonês), que teve o seu lançamento internacional feito no Japão, agora em Belo Horizonte.

*Fotos de arquivo e da internet


VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA





terça-feira, 7 de novembro de 2017


PINTURA MODERNA II

Vivemos no século da máquina, da indústria, as descobertas científicas tentando dominar as forças do espírito, pela própria força da matéria. Esta preponderância da matéria sobre o espírito marcou pela violência quase toda a arte do nosso tempo.

O século em que se inventaram os campos de concentração, que deu origem a duas guerras implacáveis, em que se descobriu a força destruidora da energia atômica, que usou do progresso material contra todos os direitos da pessoa humana, não mereceu outra ilustração a não ser a Guernica de Picasso.

Mas o homem, que testemunha e sofre a sua própria mecanização, não tem a humildade necessária para reconhecer a verdade da pintura que retrata o seu século.

Estes 90 anos de pintura moderna foram 90 anos de experiência, de independência e liberdade.

Esta sede de criar, de experimentar, de destruir tudo o que ficou para trás, é uma marca do desassossego e da inquietação da civilização moderna, cheia de idéias contraditórias.

Neste clima de liberdade, os verdadeiros artistas tiveram ocasião de se manifestar e dar sua valiosa contribuição à arte. (Trecho do meu livro “Vivência e Arte”, editora Agir, 1966)

*Fotos da internet

VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.




segunda-feira, 30 de outubro de 2017


PINTURA MODERNA I

A França desde o século XIX tornou-se o principal centro das artes. Seria justo portanto lembrar que a maioria dos movimentos artísticos teve início em Paris e ali se desenvolveu.

         Contra a arte decadente e imitativa da academia, começaram a germinar em França as primeiras idéias revolucionárias. Daí surgiu o movimento moderno de renovação. A arte passou, novamente, a ser vivida pelos artistas como fonte de criação pura, e não imitação da natureza. Como pesquisa, e não submissão. Como experiência pessoal, e não cópia servil. Não falo aqui, especialmente, da arte abstrata, mas da abstração na obra de arte, qualidade essencial, indispensável, para haver criação autêntica.

         O artista pode partir do modelo, mas depois transforma linhas, muda cores e cai na abstração. O que a arte moderna fez foi, justamente, recapitular estas verdades, esquecidas pelo academismo. A revolução moderna foi um despertar do sono e do espírito de acomodação, dominante até o princípio do século XIX, para redescobrir valores e concepções eternas da verdadeira arte.

         Como nos diz Flávio de Aquino, "inventar foi o grande feito do nosso século, em todos os terrenos do conhecimento humano."  Inventar, também, foi a maior realidade da arte contemporânea, acompanhando o progresso científico do século XX.

         Com a inquietação dos artistas modernos, ávidos de liberdade, mundos desconhecidos foram revelados e a arte passou a ser a expressão de sentimentos puros, transfigurados pela personalidade dos autores.

         Segundo Pe. Collet, "a arte é a impressão digital duma civilização. Transmite, de certo modo, aos séculos seguintes, o testemunho vivo do melhor e do pior da época, e antecipa também o futuro, pois o artista, mesmo inconscientemente, recebeu o dom da profecia."

         Não são as telas de Chagall, cheias de um surrealismo lírico, como que uma visão antecipada dos acontecimentos mais recentes, que movimentaram o mundo, como sejam a conquista dos espaços interplanetários? (Trecho do meu livro “Vivência e Arte”, editora Agir, 1966)

Fotos da internet

VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA
        






segunda-feira, 23 de outubro de 2017


EMOÇÃO E TÉCNICA III

O desenvolvimento da arte é feito através do trabalho, não de palavras.

Seu destino é dirigido por força desconhecida e impossível de ser dominada. Obedecendo unicamente à lei dessa necessidade interior, o artista procurará aprofundar esta verdade nova que surge. Um trabalho contínuo e ininterrupto há de gerar sempre uma ideia também logicamente contínua, sem grandes saltos. 

Uma fase nasce de outra como uma cascata, ligando-se à fase inicial por mudanças transitórias que determinam o início de uma transformação. Às vezes, é a necessidade de um material novo, ou da ausência de cor. É a necessidade de papel branco e da linha apenas como veículo de expressão.

         Um dia a cor voltará a ser explorada e sentida, e neste dia o desenho já não será mais necessário. As fases de um artista são espontâneas, não vêm de encomenda. Independem de leis externas e nunca poderão ser medidas, calculadas. Sua duração é a própria duração de um clima interior. 

A paisagem do artista é uma paisagem imaginária, sem relação com a paisagem real vista por todos. A mesma paisagem poderá inspirar tanto uma cidade, quanto uma esquadra no mar, dependendo da ocasião em que foi vista. Uma forma, uma linha, servirão apenas de pretexto para se achar aquela forma e aquela linha que sempre se desejou obter.

         Um mesmo grupo de nuvens poderá sugerir anjos, animais, demônios, ou simplesmente formas abstratas, dependendo da fase que o artista atravessa no momento. Naturalmente, quando esgotada uma fase, nascerá outra por uma natural e espontânea necessidade de renovação.

         O caminho da arte é longo, tem suas surpresas, seus imprevistos, revelando a cada passo a alvorada de uma nova ideia. (Trecho do meu livro “Vivência e Arte”, editora Agir, 1967)

*Fotos de arquivo

VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA





segunda-feira, 16 de outubro de 2017


INFLUÊNCIAS ORIENTAIS NAS IGREJAS FRANCISCANAS DO BRASIL

 Marília chegou da Bahia onde participou de um Congresso de historiadores da arte do Comitê Brasileiro de História da Arte. 

O historiador pesquisa, descobre coisas que foram vividas pelos homens de antigamente, fatos ainda não mencionados na história convencional.

Ela me diz: “Fizemos uma visita ao convento dos franciscanos em Paraguaçu, no Recôncavo Baiano. Você iria gostar de ver esse mosteiro, que tem uma história bonita de intercâmbio entre o Brasil e a Índia, e hoje está abandonado”

A Bahia era a porta de entrada dos antigos navegantes portugueses. Aqui chegavam as caravelas trazendo especiarias da China e da Índia, em troca de produtos brasileiros.
A Bahia foi a primeira região brasileira a inaugurar a síntese Oriente/Ocidente. Eu já pesquisei esse assunto um dia, quando participei em 1983 de um Congresso em Goa.

O Brasil na Carreira da Índia, do historiador Luiz Roberto Lapa, foi o livro que me permitiu conhecer essa história esquecida de intercâmbio comercial entre o Brasil e a Índia, fruto das relações inter-continentais entre os países tropicais.

Agora, os novos historiadores, movidos pelo interesse em descobrir, documentar e preservar o presente, estão dentro desse mosteiro abandonado, repensando a importância de conhecer essa história e preservar esse patrimônio arquitetônico.

Marilia nos diz: “Nessa visita, tive a oportunidade de sentir o impacto e a beleza de uma Igreja franciscana, situada em Paraguaçu, na beira de um grande rio, apresentando uma arquitetura e uma decoração de forte influência oriental. Me lembrou os templos indianos, construídos em formas piramidais, que se situam próximo aos rios.

Esse sentimento inicial foi enriquecido pela leitura do texto de Paulo Ormindo de Azevedo sobre as relações inter-coloniais e as influências orientais nos conventos franciscanos do nordeste. Nesse texto o historiador discute as relações artísticas e arquitetônicas entre o Brasil e a Índia durante o período colonial. Enfatiza a importância dos ornamentos de pedra construídos nos cruzeiros situados nos átrios das Igrejas franciscanas e das chinesices e esculturas que também ornamentam o interior dessas igrejas. Mostra ainda que essa influência não se dá apenas na decoração dos templos, mas aparece também nos partidos arquitetônicos de forma piramidal que se encontram nos templos hinduístas da região de Kerala e nas igrejas indo-portuguesas de Goa.

A história dessa Igreja como também a história de outras igrejas brasileiras, abandonadas e esquecidas ao longo do tempo, precisa ser relembrada, reescrita, restaurada e preservada pelos órgãos públicos ligados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional”.(Depoimento dado pela historiadora Marília Andrés Ribeiro)

*Fotos de Marília Andrés Ribeiro e Almerinda da Silva Lopes

VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.








terça-feira, 10 de outubro de 2017


EMOÇÃO E TÉCNICA II

O ensino das artes plásticas é individual, seguindo as possibilidades de cada artista em particular. O aluno, quando realmente tem talento, sempre acha os seus meios de expressão, e, às vezes, surpreende o mestre com suas descobertas.

         Apenas orientado no momento preciso, ele poderá progredir de um modo mais autêntico do que recebendo, cegamente, as ordens exteriores.

         A vivência artística se enriquece muito mais com a própria experiência e as próprias descobertas, do que com a preocupação exagerada de consultar os tratados de técnica e de matemática, à procura da maneira exata e correta de se fazer pintura.

         A pintura é fruto de trabalho, de sofrimento e de abnegação. Neste clima de pesquisa, a emoção não surge desordenada e inconsciente, como na criança.

         Ela é corrigida e aperfeiçoada pela técnica, e ordenada pela experiência do artista, no sentido de um progresso sereno e ininterrupto.

         A experiência, naturalmente, controla a emoção e o artista já amadurecido conseguirá a fusão da disciplina com a liberdade, que é o clima essencial para a criação ao mesmo tempo espontânea e consciente.
         Ele deve saber ser fiel a si próprio, respondendo ao seu impulso interior com a máxima sinceridade, sem deixar que nisto intervenha nenhum interesse externo.
         Suas emoções não podem ser antecipadamente programadas num itinerário. Delineia-se este com o tempo, olhando para trás, depois de trilhado o caminho. Nunca premeditado intelectualmente. A evolução normal de um artista não significa uma ruptura com o passado, mas sua continuidade. Às vezes, mais tarde, uma das fases anteriores é revivida, para se enriquecer de soluções novas. Fiel ao impulso nascido espontaneamente, dentro de sua alma, o artista se volta com entusiasmo para o trabalho, renovando técnicas, renovando formas, porém fazendo viver dentro delas o seu espírito, o seu modo pessoal de sentir as coisas. (Trecho do meu livro “Vivência e Arte”, editora Agir, 1967)

Atualmente, 50 anos depois da publicação deste texto, estou fazendo uma releitura da minha fase construtivista. Meus desenhos de via sacra da década de 50, com a utilização do computador, se transformaram em esculturas.

*Fotos de arquivo

VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA





terça-feira, 3 de outubro de 2017


EMOÇÃO E TÉCNICA

A técnica deve ser posta no seu devido lugar, como uma subordinada da emoção criadora. Ela é importante, na medida em que orienta o artista no sentido de um aperfeiçoamento cada vez maior de seus meios de expressão. Auxilia-o a ser mais preciso e exato na realização de sua obra, orientando-o com os conhecimentos recebidos através de experiências alheias. É como que a gramática da pintura. A gramática corrige e aperfeiçoa a frase que foi concebida de uma ideia. As teorias também, em se tratando de artes plásticas, têm o mesmo papel. Vêm corrigir a ideia criadora do artista, às vezes imprecisa e confusa, dando-lhe uma forma clara e harmoniosa.

         Braque dizia: "Eu amo a regra que corrige a emoção".

         Mas não se dispensa a emoção em favor da regra. Não se ensina alguém a ser artista ditando-lhe processos teóricos, assim como não se ensina alguém a ser poeta, ditando-lhe regras gramaticais.

         É preciso ser visionário e disciplinado ao mesmo tempo, buscar a fonte da arte no espiritual  e depois trazê-la à realidade, com o auxílio dos conhecimentos recebidos.

         Embora as teorias tenham o seu papel no desenvolvimento do artista, pode-se, no entanto, ser bom pintor sem essa preocupação, pode-se ser apenas um artista intuitivo e ingênuo, progredindo à custa da própria experiência. Pode-se criar, como cantam os pássaros, sem regras e preceitos vindos de fora, apenas levado pela alegria de fazer surgir no mundo novas formas. Depende da cultura, das tendências e do meio em que o artista vive. Se ele for realmente artista, sua intuição o levará a um progresso espontâneo, baseado na experiência própria, sem o conhecimento das experiências alheias. Existindo a emoção criadora, existe arte. O que se não pode é pré-fabricar um artista. É ditar leis e teorias, esperando que destas leis nasça uma obra de arte. (Trecho do meu livro “Vivência e Arte”, editora Agir, 1967)

*Fotos da internet

VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.



segunda-feira, 18 de setembro de 2017


QUEM TEM MEDO DE TEREZINHA SOARES?

Conheci Terezinha Soares durante um workshop em BH na década de 60 e desde então percebi o seu grande interesse pelas artes. Terezinha matriculou-se na Escola Guignard onde era considerada pelos professores como uma aluna muito criativa. Mais tarde, na década de 70 viajamos juntas para uma exposição em Washington DC, desta vez como companheira das artes.
Agora, depois de tantos anos, revejo Terezinha novamente voltando a atuar no circuito artístico da cidade e lançando um livro de crônicas.
Transcrevo abaixo um texto que escrevi sobre ela, e seu catálogo intitulado “Quem tem medo de Terezinha Soares?

Terezinha está de
Volta
Seja benvinda
Aconteceu em
São Paulo
No MASP
Expor no MASP
Não é para
Qualquer um.
E nossa mineira
De Araxá
Líder feminista
Dos anos 60
Pioneira
Da revolução
Feminista
Do confronto
Corajoso
Com a
Tradicional
Família.
Terezinha
Das performances
Das caixas
De fazer amor
Das atitudes
Corajosas
Sem temor
Foi agora
Agraciada
Com grande
Mostra no
MASP
De São Paulo.
“Quem tem medo
De Terezinha Soares?”
Pode ser que
Antigamente
Alguém teve
Medo
De quebrar
As estruturas
De perder
A proteção
De seus parceiros
Amarrados
ao passado
Tradicional.
Terezinha
Está de volta
E voltou
Para ficar.
Sua mensagem
Está viva
E não será
Esquecida.
Como mestra
Eu nunca
Esqueço
Os alunos
Talentosos
E vou lembrando
De fatos
De sua forte
Presença
No meio
Artístico
Da década
De 60.
Não precisou
De estender
Sua arte
Por muito
Tempo.
Sua mensagem
Foi feita e
Até hoje
Permanece
Como estrela
Que não
Para
De brilhar.
“Quem tem medo
De Terezinha Soares?”
É o título de
Seu livro
Editado
Em São Paulo.
Se houve medo
Já passou.
Seu recado
Já foi dado.
Agora é
Colher os louros
Desta homenagem
E viver o presente
Que inclui o
Passado e o
Futuro.
Pode chegar
Terezinha
E será bem
Recebida.
Sua arte é
Vigorosa
Corajosa.
Vai ficar
Em sua terra
Que é também
De Adélia Prado
E Carlos Drummond
E Guimarães Rosa
Pioneiros
De muitas ideias.
Minas lança
Ideias novas
E São Paulo
As divulga.

*Fotos da internet


VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.







segunda-feira, 4 de setembro de 2017


UNIPAZ, 30 ANOS

Paramos o carro nos arredores de Brasília. Manhã de sol, vento fresco. Numa pequena tenda organizada dentro de um container azul, serviram água de coco. À frente um painel anunciava “UNIPAZ”. A granja do Ipê foi cedida em 1987 ao professor e psicólogo Pierre Weil para realizar o seu trabalho holístico e estendê-lo a todos os que já estavam preparados. Pierre foi presidente do Retiro das Pedras, tentou iniciar o seu trabalho ali, no alto das montanhas de Minas, mas a vida o conduziu para o planalto central.

Agora, estou em frente ao meu painel pintado para o salão principal da Universidade. Lembro-me de quando foi pintado, no meu atelier da fazenda, em cima de uma lona.
Levei tempo realizando este trabalho, que viajou para Brasília enrolado numa vara de bambu.

Eu fazia muito disso. Transportava quadros enormes para São Paulo, Rio e Brasília, enrolados no bambu. Agora vou me lembrando do tempo em que viajava para Brasília a fim de participar de workshops e dinâmicas de grupo.

As aulas holísticas eram dadas anexadas sempre às atividades artísticas, um trabalho de arte coletiva que eu introduzira como forma de integração de todas as energias. Foi a melhor forma de integrar essas energias num todo harmonioso e ao mesmo tempo prazeroso. Criar uma obra coletiva, sem um autor individual, sem comando, apenas dando incentivo e permitindo que a criação surgisse por si própria. Muitas vezes eu ficava exausta porque assimilava aquele conjunto de energias, mas o resultado final era ótimo, valorizando-se mais o processo do que o resultado.

Os baluartes da paz nos chegam quando nos empenhamos num trabalho de arte. Eles nos chegam silenciosos, dentro de cada um de nós. Leio o texto da Unesco, colocado em frente ao prédio da Unipaz:
“Uma vez que as guerras nascem no espírito dos homens, é no espírito dos homens que devem ser erguidos os baluartes da paz.”
A pedido de Pierre, submeti-me a um concurso para dar aulas em Brasília, na Universidade da Paz. Entrei com o meu currículo e usei o meu livro, “Os caminhos da Arte”, como roteiro da minha atuação na Universidade. Lembro-me de todas as sequencias desse concurso.

Agora estou mais uma vez em Brasília, revendo o passado.
Passamos pela cachoeira para tirar fotos. A cachoeira fica perto de uma construção de madeira com uma varanda. Ali ministramos vários workshops e assistimos muitas aulas.
O que aprendemos começa a fazer parte de nós mesmos. Somos todos Um, não existe separatividade entre as pessoas. Energetica e espiritualmente estamos ligados a tudo que existe, à água que cai em cascata muito branca, às árvores, às plantas, à vegetação do cerrado, às montanhas, aos mares, ao vento, às nuvens. Somos todos partes de um Todo.

Pierre tentou chegar à Unidade, reunindo psicologia, ecologia, religião, filosofia. Teve o mesmo insight holístico que eu tive também no Retiro das Pedras.
Ele morava na rua de baixo, mas recebeu também, na mesma ocasião, a mesma inspiração. Era preciso divulgar a integração que existe entre os seres humanos, a natureza, o universo. O meu modo de distribuir essas ideias foi um pouco através da palavra, mas principalmente através da forma, da cor e do incentivo à criação.
As artes plásticas ajudam também e Deus nos favoreceu com este canal de difusão da Paz.

José Aparecido soube compreender a visão de Pierre e aqui estamos na Granja do Ipê, frente à cachoeira, lembrando o passado e refletindo sobre o futuro.
Meu livro “Os caminhos da Arte” revela esta visão holística, este insight recebido numa madrugada em minha casa do Retiro das Pedras.

Agora me lembro: debaixo dessas árvores, sentada também num tronco de árvore, cantamos o Gayatri mantra, lembrando o workshop realizado no pátio em frente. Tingimos serragem com as cores básicas na véspera do evento.
No dia, 150 pessoas se reuniram no pátio. Seria vivenciada a dança de Shiva, o deus dançarino que criou o universo. Dividimos o grupo, distribuímos bolinhas de gude para representar as estrelas. Eram 500 bolinhas que foram divididas para os 150 participantes. Cada um segurava suas bolinhas e, ao comando de Shiva e ao toque de um tambor, elas eram jogadas no chão.
Uma pessoa riscava com giz o trajeto das bolinhas e os espaços eram preenchidos com serragem colorida. Ao final, uma grande Mandala foi criada, com dança e muita reverência. Usamos como trilha sonora a música I Ching, do grupo UAKTI.

Dançamos em torno da Mandala, e, sem nenhum comando, surgiu uma dança indígena improvisada, utilizando flechas retiradas do bambuzal em frente.
Sentir a Unidade através da arte é uma experiência fundamental.
Essas lembranças nos remetem ao passado, mas também se situam no agora, no presente.

A cachoeira continua fluindo, em cascatas, sempre seguindo o seu curso. Vai levando o passado e levará também o presente. Debaixo do bambuzal posso escrever melhor e perceber que um outro workshop holístico está sendo realizado dentro da cabana. Estamos esperando a Lydia, que já nos acenou da janela da cabana e nos fez sinal de espera. Pierre Weil já se foi para outro plano, ficou o Crema. Hoje há sempre gente trabalhando aqui, na educação, na psicologia, na espiritualidade, na arte.
A Unipaz foi uma conquista, que ela continue a dar seus frutos.
Aqui, neste lugar, sentimos florescer a paz.

*Fotos de Maurício Andrés


VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.









terça-feira, 29 de agosto de 2017


CAMILLE CLAUDEL

Hoje vou falar
Da grande surpresa
Que todos
Tivemos
Ao ver a Ivana
No palco
Representando
Camille Claudel.
Realmente  é
Surpreendente
Ver uma peça
Tão dramática
Representada
Por Ivana.
Ela consegue
Transmitir
Para a plateia
A alma e
O sofrimento
De uma artista
Plástica
Que sofre a
Rejeição e
O abandono
Das pessoas
Que ela mais
Ama.
Camille Claudel
Foi grande
Na arte
E grande no
Sofrimento.
Suas cartas
Seus diários
Denunciaram
O sentimento
De ser
Injustiçada
E rejeitada
Afetivamente
E profissionalmente.
Camille Claudel
Viveu em Paris
Seu nome surgiu
Do impacto
De suas esculturas
Que ficaram famosas
Depois de sua morte.
Aconteceram mostras
E o mundo inteiro
Conheceu a
Grandeza
De sua arte
Mas a artista
Incompreendida
E rejeitada
Terminou seus dias
Num manicômio.
As cenas do teatro
Comovem o espectador
Porque são
Extremamente verdadeiras.
Ivana Andrés
Dirigida por
Luciano Luppi
Apresentou um espetáculo
De grande autenticidade.
Dramático
E sensível
Ele comove
O espectador
Interpretando
Uma realidade
Mais profunda
Escondida nos
Labirintos
Do ser humano.
Teatro é vida
E a vida ali está
Para denunciar
E promover mudanças.
Ivana neste espetáculo
Mostra o seu potencial
Dentro das diversas
Formas de arte
Desenhista, cantora
Cenógrafa
Dramaturga
E agora intérprete.
Esta forma multimídia
De fazer arte
É uma característica
Do século XXI.

*Fotos de Carolina Lobo

VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MEMÓRIAS E VIAGENS”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.