segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018


O DESPERTAR DA KUNDALINI


Swami Muktananda no seu livro “Kundalini – El secreto de la vida”, nos transmite o seu profundo conhecimento desta força que existe dentro de cada um de nós. A energia Kundalini existe em todos os seres humanos, mas na maioria das pessoas ela se encontra em estado latente.

Nas antigas escrituras do Oriente, a Kundalini é reverenciada como a Shakti, o Poder Cósmico ou a Divina Energia Consciente, que é responsável pela criação de todo o universo.

Todas as tradições falam da energia Kundalini de formas diferentes. Os japoneses a chamam de Ki, os chineses de Chi, os cristãos a denominam de Espírito Santo. Outro nome dado a essa força é Chitti, a Consciência Universal.

Segundo Swami Muktananda, essa energia tem dois aspectos: o aspecto exterior que mantém vivas todas as funções dos diferentes órgãos do nosso corpo, podendo ser considerada a força motora de todas as nossas atividades. Essa energia existe em todos nós mesmo que dela não tenhamos consciência. É o aspecto interior da Kundalini que deve ser despertado por nós.

A Kundalini reside no centro do corpo, no Chakra Muladhara situado na base da coluna vertebral. Quando é despertada, sobe em direção ao Chakra situado no ápice da cabeça, o Sahasrara.

Muktananda nos esclarece nesse livro que existem muitas formas de despertar esta energia: através de uma intensa devoção a Deus, da repetição de mantras, de exercícios específicos de Yoga, ou até mesmo de forma espontânea devido a méritos acumulados em vidas anteriores. Mas segundo ele, a forma mais fácil de se despertar o aspecto interior dessa força é através do Shaktipat do Guru, quando esse transmite diretamente sua própria Shakti Divina ao discípulo.

O Shaktipat pode ser transmitido de quatro maneiras: através do toque físico que é dado normalmente na região do Ajna Chakra, entre as sobrancelhas, através da transmissão de um mantra, do olhar ou do pensamento do mestre.

A intensidade do Shaktipat depende do merecimento de cada um, da sua fé, devoção e atitude de reverência. Mas uma vez despertada, a Kundalini deve ser cuidada. A pessoa deve procurara manter uma vida equilibrada, integrando na sua disciplina diária, a meditação, os mantras, ou outras práticas que tenham afinidade com o seu temperamento. O processo que se inicia a partir do recebimento do Shaktipat chama-se Siddha Yoga, ou Yoga Perfeita.

Somente quando a Kundalini se desperta, podemos desenvolver nosso verdadeiro potencial como seres humanos. Isso não se limita à nossa vida profissional, que passamos a realizar de forma mais consciente e perfeita. Esse despertar nos transforma internamente e nos faz ter uma nova visão do mundo à nossa volta. Sentimos um entusiasmo maior em todas as nossas atividades; até mesmo a forma como nós nos relacionamos com nossos familiares e amigos se transforma.

Deixamos de lado a ilusão de pensar que a felicidade só pode ser encontrada fora de nós mesmos e descobrimos que ela é inerente ao nosso Ser Interior. A partir do momento em que tomamos consciência desse potencial dentro de nós passamos a viver e irradiar esse estado de alegria constantemente.

De acordo com o Shivaísmo do Kashmir, ao despertarmos a força da Kundalini, acontece simultaneamente  uma expansão da nossa consciência tão ampla e infinita como o Universo. Deixamos de ser criaturas limitadas, podendo assim alcançar a União com o Criador. (Trecho do meu livro “Encontro com mestres no Oriente”, editora Luz Azul, 1993)

*Fotos da internet

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sábado, 10 de fevereiro de 2018


CARNAVAL


 Enquanto estávamos digitando esta postagem, escutamos a seguinte mensagem, vinda do WhatsApp:

“Atenção, atenção, senhores e senhoras! Informamos ao povo brasileiro que nesta sexta feira, dia 9 de fevereiro, a partir das 17:30 se encerra a crise no Brasil. Retornaremos com a crise na quarta feira ao meio dia. Obrigado pela atenção de todos”.

Quando eu era criança, a chegada do carnaval era uma festa imperdível. Com a ajuda da tia Mucíola, preparávamos um roteiro de músicas da época e, sentadas na escada de frente da casa ensaiávamos dias seguidos para depois formarmos um pequeno grupo musical, onde a dança, a música e as artes plásticas contribuíam para dar colorido ao bloco.
Cada ano fazíamos um bloco diferente. Lembro-me de sair de casa vestida de húngara, outra vez de cigana ou de colombina. Saíamos às 4 da tarde, num carro conversível, sentados na capota, munidos de serpentina, confete e lança perfume.
Atravessávamos a Afonso Pena cantando, lançando metros de serpentina no carro da frente e no detrás.
O desfile tinha o nome de corso e na rua da Bahia, blocos caricatos dançavam.
Os 3 dias de festa eram bem festejados e terminavam num baile infantil no Automóvel Clube da cidade. Mais tarde o lança perfume foi proibido e caiu em desuso.

O carnaval de hoje recuperou a alegria do carnaval antigo. Em Belo Horizonte, Rio e várias cidades brasileiras, os blocos desfilam e dançam na rua. Crianças, jovens, adultos e idosos participam da festa. O importante é cantar, dançar, esquecer a crise brasileira e buscar a alegria própria do nosso povo. Brasileiro é um povo alegre, já nasce com esta alegria. É festivo, comunicativo, humorista.

Em 1980, Ivana, Penha Paes e eu, participamos do Salão do Carnaval com aproximadamente 30 bonecos de peneira representando um cortejo de personagens que ilustravam marchinhas carnavalescas: Mamãe eu quero, A la la ô, Touradas em Madri, Lourinha, O teu cabelo não nega, Índio quer apito, etc.
No atelier da rua Sta Rita Durão, todos que apareciam trabalhavam em alguma coisa: costuravam, trançavam panos, modelavam caras em espumas, pintavam. Minha mãe Nair trabalhou intensamente e todos os dias estava no atelier. A apresentação com banda em frente ao Palácio das Artes foi uma apoteose. A exposição ficou muitos dias na Grande Galeria do Palácio das Artes. A nossa lista de agradecimentos ocupou um grande espaço num pôster enorme com os nomes de todos que ajudaram. Minha mãe Nair, na época com 80 anos, se sentiu tão realizada que logo em seguida comprou um carro, e depois fez comigo a sua única viagem internacional, pela Europa.

Em 1987, em viagem à Índia, Ivana e eu participamos do carnaval em Chandigarh, cidade do Punjab, projetada por Le Corbusier e muito semelhante a Brasília. O texto abaixo se refere a um diário de viagens da Ivana:
“Hoje e amanhã é carnaval em Chandigarh. Fizeram coincidir com o Festival, à guisa de fechamento. Lembra o nosso carnaval em cidades do interior. Saem crianças vestidas de uniforme, grupos de dança, de música, carros alegóricos enfeitados de panos coloridos, 2 camelos, 1 elefante, todos enfeitados com panos, flores, adereços. Ficamos numa “ala”  de estrangeiros, junto com palestinos, nigerianos, indonésios e 1 americano. Levava um cartaz com a bandeira do Brasil. Na frente músicos tocavam tablas e uma caixa de um órgão portátil, além de flautas de bambu. O ritmo às vezes acelerava, o que dava para dar uns passos de samba. Deu saudades do carnaval brasileiro.”

*Fotos de arquivo e da internet

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018



SEMENTES DE UM QUADRO

Nos meus painéis, o conteúdo teria de ficar presente. Para cada painel realizei uma série de estudos. Desenhos em lápis, caneta, pastel e aquarelas.
Eles foram as sementes de um painel. São rabiscos com tinta de tinteiro ou de caneta BIC. Canetas preciosas que servem para tudo, até para assinar cheque.

Canetas azuis ou pretas
Escolho a que está na bolsa
E vou rabiscando
Até que os desenhos apareçam.
Eles chegam como as nuvens
Vão surgindo devagar.
Se não rabiscamos
Eles vão embora.
Tenho sementes de vários quadros
Painéis e tapeçarias
De grandes dimensões.
Elas nascem
Do pequeno
Do desenho rabiscado.
Assim como nascem
As palavras
De um poema
De um artigo
De uma tese
De um discurso
 De uma carta.
As idéias vão surgindo
Na ponta da caneta.
Hoje existem canetas de nanquim
Nada de perder tempo molhando
As peninhas
Nos vidros de nanquim
Vindos da França.
São pequeninas
(como as linhas ficavam suaves...)
As peninhas “jilots” não existem mais
Foram condenadas
Ao esquecimento.
Mas produziram desenhos que hoje
Valem ouro.
Naquela época
Não valiam nada.
Eram apenas
Uma diversão
Para ocupar o tempo
Enquanto as crianças
Dormiam.
Hoje não existem mais
Acabaram
Viraram peça de museu.

*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018


ALEXANDRE ANDRÉS E O ORIENTE

Quando Alexandre nasceu, eu viajava pelo sul da Índia com um pequeno grupo de brasileiros. Estava em Arunachala, junto à montanha sagrada, reverenciada pelo aparecimento de uma grande luz em forma de coluna de fogo. O local é um lugar de peregrinação e ali morou um dos maiores mestres da Índia, Ramana Maharishi. Existe um mantra de grande poder de cura, associado àquela montanha. Repetindo o mantra Arunachala Shiva Shiva, os fiéis sobem cantando em reverência ao Deus Shiva.
Arunachala, situada em Tiruvanamalai, é considerada uma das mais antigas formações rochosas do planeta.

Estávamos dentro de um carro, e, do banco de trás eu podia ver a montanha se afastando. Propus a todos que cantássemos como despedida o mantra Arunachala Shiva Shiva.

A montanha aos poucos se afastava e, quando me dei conta, eu tinha substituído Arunachala por Alexandre. Alexandre Shiva Shiva, Alexandre Shiva Shiva.

Tomei consciência da substituição das palavras e exclamei com alegria: meu neto nasceu, Alexandre está nascendo...
Realmente, naquele momento, Alexandre estava nascendo...

Este menino, filho de pais músicos, desde cedo se dedicou à música. Desde criança seu brinquedo preferido era sempre um instrumento musical e aos 12 anos se apresentou tocando Mozart para um grupo de artistas e familiares. Sua sensibilidade para interpretar Mozart impressionou a todos.

Com sua flauta ele conduzia o público a uma transcendência que extrapolava o mundo material.

Aos 18 anos Alexandre tornou-se também compositor e tem a disciplina necessária aos que se dedicam de corpo e alma ao seu ideal de arte. Ele não permite dispersões inúteis. Levanta-se de madrugada, e, à luz das estrelas vai compondo suas músicas. Elas brotam de uma intuição muito clara com outros planos de consciência, onde as artes tem como objetivo principal a transmutação de energias neste planeta tão cheio de violência.

Hoje, aos 26 anos, Alexandre é um músico reconhecido internacionalmente e está fazendo também um intercâmbio com o oriente através da música, tendo apresentado com sucesso o seu último CD Haru em Tóquio, Kioto e outras cidades japonesas.

Assisti a apresentação deste CD em BH, na Fundação de Educação Artística. Foi um admirável espetáculo de música, apresentado por Alexandre Andrés e Rafael Martini. De onde eu me encontrava podia ver o palco e os dois músicos com seus instrumentos. De um lado, Rafael com piano e teclado, do outro Alexandre com 3 instrumentos: flauta, violão e a própria voz.  Havia uma comunicação performática que envolvia os músicos, o teatro e inclusive a plateia que também se tornava parte do evento. Os dois músicos integravam seus sons que nos conduziam à terras distantes, mas também próximas.

O Oriente e o Ocidente encontraram-se no palco e trouxeram a sua mensagem para todos nós que assistimos.

Integrando o evento “Verão Arte Contemporânea”, o espetáculo “Haru” será apresentado em BH no CCBB, no dia 24 de janeiro, às 20 horas.

*Fotos da internet


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terça-feira, 16 de janeiro de 2018


STANISLAVSKI E BOAL

Konstantin Stanislavski treinava o ator por meio do autoconhecimento. Para representar o personagem, ele teria que se conhecer, analisar suas reações, investigar suas ansiedades, seus reflexos, sentir os impulsos internos e a reação exterior a estes movimentos. Observar-se, situar-se, perguntar a si próprio: “quais das minhas ideias, desejos, esforços, qualidades, deficiências e dotes inatos, pessoais e humanos, podem forçar-me, como homem e como ator, a adotar em relação às pessoas e aos acontecimentos uma atitude semelhante à do personagem que estou  interpretando?”

 Tais indagações, feitas para o ator se afinar com o personagem, constituíam também um caminho para a compreensão dos altos e baixos de sua personalidade e de seu relacionamento com outras pessoas.

Stanislavski fundamentava suas idéias na busca da realidade interior: “A ação cênica é o movimento da alma para o corpo, do centro para a periferia, do interno para o externo, da coisa que o ator sente para a forma física.”

“Só é cênica a criatividade que se fundamenta na ação interior.” 

Toda a sua obra está baseada nesse movimento interno que se exterioriza. O corpo é o instrumento que irradia os impulsos da alma: o semblante, o olhar, a mímica, o gesto, as mãos, os pés, a entonação.

O ator tem que compreender esse relacionamento entre corpo e alma, impulso e movimento, para saber interpretar bem seu papel. Precisa estar consciente de si próprio, atento a todos os seus movimentos internos e às suas reações diante dos fatos.

Augusto Boal, autor e diretor teatral brasileiro, criou o Teatro do Opri-mido, difundido em vários países do mundo. O Teatro do Oprimido surgiu da experiência de interação com plateias populares e, no dizer do próprio autor, “pretende libertar o artista que existe dentro de cada um de nós”.

Boal nos mostra, no seu livro Hamlet e o Filho do Padeiro:   Memórias Imaginadas , como a experiência no teatro pode tocar níveis mais profundos da personalidade do ator: o ator pode ser, hoje, Einstein, Chaplin, Gandhi e, amanhã, lixeiro, coveiro, pária analfabeto. Eu quis dizer – creio ter dito! – que o ser humano é capaz de mergulhar nas suas profundezas e emergir com personagens insuspeitados, potencialidades escondidas, submersas na sua recôndita pessoa. Ser ator significa mergulhar esse mergulho, despertar personagens que borbulham na panela de pressão do nosso inconsciente.

Na Europa, Augusto Boal desenvolveu trabalhos interessantes, como o ateliê iniciado em Paris, em 1982, no qual usava técnicas introspectivas, “um processo terapêutico, mas sem ser terapia”; nenhum dos participantes tinha mais autoridade do que os outros e  todos partiam de um relato individual, uma história particular que era pluralizada no grupo.

Boal teve oportunidade de estudar, nos EUA, o método Stanislavski de interpretação. Dentro dessa linha do fazer artístico, direcionado à busca de si mesmo e da reflexão, o ator estaria desenvolvendo todo um processo de transformação pessoal, que certamente poderia se refletir no processo de transformação de seu meio social. (Trecho do meu livro "Os Caminhos da Arte", Editora C/Arte, 2015)

*Fotos da internet

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018



CAMPANHA DE POPULARIZAÇÃO DO TEATRO E DANÇA EM BH

Em janeiro e fevereiro realiza-se em Belo Horizonte, a 44° Campanha de Popularização do Teatro e da Dança.

Segundo Rômulo Duque, presidente do Sinparc, “fazemos arte porque ela nos salva. Fazemos arte porque ela nos abre horizontes e nos faz pensar. Fazemos arte porque queremos um mundo melhor, livre de preconceitos e da intolerância.  Buscamos a alegria, buscamos o sorriso, a reflexão. Queremos a união. Por isto o nosso convite para que neste espaço da Campanha, possa haver o encontro entre as pessoas, entre as idéias, entre as pessoas e as idéias.”

Considero esta iniciativa de grande importância e aproveito a oportunidade para transcrever trecho de meu livro “Os Caminhos da Arte”, escrito na década de 70.

 “A arte dramática e o teatro tiveram suas origens na Pré-história, quando os primeiros homens se reuniam em torno do fogo interpretando as atitudes e os gritos dos animais a fim de assegurar o sucesso de suas caçadas. Usando máscaras, cantando e dançando, procuravam controlar também as forças da natureza. A evolução do teatro partiu da magia para os rituais iniciáticos, nos quais os jovens se preparavam para a obtenção de poderes sobrenaturais.

O teatro antigo, tanto na Grécia como na Idade Média, estava ligado aos rituais religiosos. Na Idade Média, os mistérios da fé eram interpretados, na própria igreja ou nas praças de mercado, pelas corporações religiosas.

É difícil traçar o limite exato a partir do qual o rito religioso transformou-se em teatro comercializado, e o drama espiritual em pantomima pagã, destinada à distração. Este fenômeno marca a decadência da tragédia clássica, como na Grécia.

No Japão, as formas de arte dramática estão ligadas à tradição religiosa, proporcionando ao espectador um clima essencialmente espiritual. Dentro dessa linha podemos situar o  KABUKI , o NOH e o TEATRO DE MARIONETES.

Atualmente, no mundo ocidental o teatro também visa à conscientização do ser humano, começando pelo próprio ator. Procurando despertar a criatividade e a sensibilidade dos artistas para a interpretação de papéis, uma escola de arte dramática torna-se também uma escola de vida.”(Trecho do livro “Os Caminhos da Arte”)

Três pessoas da nossa família estarão participando da Campanha de Popularização do Teatro. São elas Luciano Luppi, com os espetáculos “Outras Pessoas”, “Lisbela e o prisioneiro” e a autoria dos espetáculos infantis “Pinóquio” e “Quem roubou o branco do mundo”.
Ivana Andrés estará atuando nos espetáculos “Camille Claudel” e “Quem roubou o branco do mundo”.
Cristina Cortez, esposa de Manuel Rolim Andrés, estará atuando no espetáculo “Boca de Ouro” de Nelson Rodriguez.

*Fotos de arquivo

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terça-feira, 2 de janeiro de 2018


INTERCÂMBIO FAMILIAR

Vivemos a época dos intercâmbios. Esta iniciativa, promovida pelas instituições, muitas vezes surge também espontaneamente, como uma necessidade interior.
Conhecer outros povos, outras raças, outras famílias, faz parte de um plano maior que visa a paz entre os países e a integração planetária.
É preciso conhecer pessoas nascidas em terras distantes e senti-las de perto como membros de uma só família.

Conheci Yenigul Dogan, há 4 anos, vinda de Istambul para se hospedar com Ivana. Por duas vezes ela passou o Natal conosco, aqui no Retiro das Pedras. Muito afetuosa com todos, ela me chama de mãe e ficou deslumbrada com a paisagem das montanhas. Esta é a quinta vez que ela vem a Belo Horizonte, sempre para rever amigos e fazer novas amizades.

Conheceu Ouro Preto, Sabará, a gruta de Maquiné  e Inhotim. Desta vez foi à Serra da Piedade, onde viu os painéis em azulejo de minha autoria, executados em 1997.

Yenigul viaja há 30 anos, pelos mais diversos países. Tendo trabalhado na Turkish Airlines, tem direito a passagens gratuitas, desde que haja assentos disponíveis. Há 4 anos conheceu a Argentina. Desta vez ela seguirá para o Peru e Colômbia. Na próxima viagem à América do Sul ela pretende conhecer o Chile e ir até a Patagônia. Mais que lugares, são as pessoas que movem esta jovem turca através de tantos países. Ela sempre vem a Belo Horizonte, pois encontrou na nossa família e na família do Luciano, uma outra família, que ela cultiva e vem visitar.

Transcrevo abaixo um trecho da viagem da Ivana à Istambul há 2 anos atrás.

“Em 1987 estive em Istambul com minha mãe e em 1995 com o Luciano. Visitando a Capadócia, eu e o Luciano fizemos uma grande amizade com uma moça turca chamada Yenigul. Nunca mais voltamos à Turquia apesar dela ter vindo ao Brasil 4 vezes. Ela trabalhava na Turkish Airlines e aposentou há poucos meses. Yenigul sempre teve passagens aéreas gratuitas quando há lugares desocupados mesmo em outras companhias aéreas. Agora ficamos sabendo exatamente como ela viaja: depois de pesquisar horários e destinos da Turkish Airlines, com apenas uma mala de mão vai para o aeroporto, paga as taxas de embarque e fica esperando o vôo encher de passageiros. Se há assentos vazios ela embarca. Em outras companhias aéreas parceiras da Turkish Airlines a Yenigul tem também este privilégio. É um exemplo de como conhecer seus poderes e exercitar sua liberdade.

Nas 2 primeiras vezes que esteve no Brasil, levou amigas, e ficaram em minha casa. Ela fez uma amizade muito especial com Ida, mãe do Luciano. Ida, com seu afeto e simpatia conquistou Yenigul, que passou a chamá-la de mãe. A comunicação entre elas transborda em abraços, olhares, beijos e pouquíssimas palavras.

Quando voltamos a Istambul em 2015, conhecemos a família da Yenigul, ou melhor, a irmã mais nova que mora em Istambul. Dona de casa e mãe de um casal de filhos, esbanja simpatia e carisma. Mora num bairro mais simples onde toda a família, vinda do interior, passou a infância. A sobrinha, adorável e extremamente afetuosa, trabalha num hotel e faz faculdade de turismo. Apenas ela fala inglês. O irmão mais novo, com uma expressão matreira fala um pouco o inglês. Yenigul cantou uma canção turca e me pediram para também cantar. Decidi pela canção folclórica brasileira "cintura fina” do nosso Gonzagão. A música substituiu com grandes vantagens a questão da falta de comunicação e alegrou mais ainda aquela turma risonha. De repente, Daram, o menino com carinha matreira se levantou e disse bem alto para mim:"I love you”. Que lindo! 

Mais tarde depois de um almoço delicioso comentamos sobre o Henrique, filho do Luciano. Expliquei a todos que ele não era filho meu, mas fruto de outro casamento. Novamente aconteceu o inesperado para nós brasileiros: a sobrinha da Yenigul se levantou e disse bem alto: aqui, nós dois seremos os seus filhos... Muito emocionante, puro afeto.

O pai deles é chefe de cozinha num restaurante próximo, meia hora de caminhada. De mãos dadas com meus "filhos turcos” fomos andando até o restaurante. Lá estava o pai um senhor de grossos bigodes e um olhar bom. É fácil ver que esta é uma família feliz.

Esta foi a Istambul vista de dentro, do coração das pessoas, das amizades cultivadas.
Por fora há a Istambul cosmopolita, dividida entre a Europa e a Ásia. No centro os principais pontos turísticos: Gran Bazar, Mesquita Azul e palácio Topkapi. Perto uns dos outros, conservadíssimos desde os idos de 1600, sem um vitral quebrado, um arranhão nas colunas ou paredes.

A Mesquita Azul é considerada a mais perfeita das mesquitas otomanas.

O Palácio do Topkapi foi residência dos sultões até o século XIX. Nele está guardada a maior parte dos objetos de valor dos sultões muçulmanos incluindo as relíquias sagradas.

O Gran Bazar coberto com tetos em arcos azuis e brancos, foi construído em 1660. Pode ser considerado uma pequena cidade coberta por centenas de cúpulas. Com 4000 tendas em seu interior é cruzado por ruas e praças internas e tem 18 portas de acesso.” (trecho de Diário de Viagem à Turquia e Jordânia, 2015)

*Fotos de Ivana Andrés e Yenigul Dogan

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terça-feira, 19 de dezembro de 2017



PIETÁ NAS MONTANHAS

Caminho pelas montanhas
Vendo esculturas
De pedra
Modeladas
Pelo tempo
Por ventos
Bravios
De antigamente.
As pedras nos
Falam de
Cenas bíblicas.
Vejo os três reis
Magos
Caminhando
Por atalhos
Em busca
Daquela estrela.
 Vejo imensa Pietá
Bem no alto
Da montanha.
Os pés
De Cristo
Estão ali
Nascem flores
Ao redor.
Quanto tempo
Foi preciso
Para esculpir
Esta cena?
Paro  para
Fotografar
E registrar
O que ainda
Não foi visto.

Jesus morre
A cada dia
Nas montanhas
De
Minas Gerais.

Fotos de Ivana Andrés e Maria Helena Andrés


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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017