segunda-feira, 18 de setembro de 2017


QUEM TEM MEDO DE TEREZINHA SOARES?

Conheci Terezinha Soares durante um workshop em BH na década de 60 e desde então percebi o seu grande interesse pelas artes. Terezinha matriculou-se na Escola Guignard onde era considerada pelos professores como uma aluna muito criativa. Mais tarde, na década de 70 viajamos juntas para uma exposição em Washington DC, desta vez como companheira das artes.
Agora, depois de tantos anos, revejo Terezinha novamente voltando a atuar no circuito artístico da cidade e lançando um livro de crônicas.
Transcrevo abaixo um texto que escrevi sobre ela, e seu catálogo intitulado “Quem tem medo de Terezinha Soares?

Terezinha está de
Volta
Seja benvinda
Aconteceu em
São Paulo
No MASP
Expor no MASP
Não é para
Qualquer um.
E nossa mineira
De Araxá
Líder feminista
Dos anos 60
Pioneira
Da revolução
Feminista
Do confronto
Corajoso
Com a
Tradicional
Família.
Terezinha
Das performances
Das caixas
De fazer amor
Das atitudes
Corajosas
Sem temor
Foi agora
Agraciada
Com grande
Mostra no
MASP
De São Paulo.
“Quem tem medo
De Terezinha Soares?”
Pode ser que
Antigamente
Alguém teve
Medo
De quebrar
As estruturas
De perder
A proteção
De seus parceiros
Amarrados
ao passado
Tradicional.
Terezinha
Está de volta
E voltou
Para ficar.
Sua mensagem
Está viva
E não será
Esquecida.
Como mestra
Eu nunca
Esqueço
Os alunos
Talentosos
E vou lembrando
De fatos
De sua forte
Presença
No meio
Artístico
Da década
De 60.
Não precisou
De estender
Sua arte
Por muito
Tempo.
Sua mensagem
Foi feita e
Até hoje
Permanece
Como estrela
Que não
Para
De brilhar.
“Quem tem medo
De Terezinha Soares?”
É o título de
Seu livro
Editado
Em São Paulo.
Se houve medo
Já passou.
Seu recado
Já foi dado.
Agora é
Colher os louros
Desta homenagem
E viver o presente
Que inclui o
Passado e o
Futuro.
Pode chegar
Terezinha
E será bem
Recebida.
Sua arte é
Vigorosa
Corajosa.
Vai ficar
Em sua terra
Que é também
De Adélia Prado
E Carlos Drummond
E Guimarães Rosa
Pioneiros
De muitas ideias.
Minas lança
Ideias novas
E São Paulo
As divulga.

*Fotos da internet


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segunda-feira, 4 de setembro de 2017


UNIPAZ, 30 ANOS

Paramos o carro nos arredores de Brasília. Manhã de sol, vento fresco. Numa pequena tenda organizada dentro de um container azul, serviram água de coco. À frente um painel anunciava “UNIPAZ”. A granja do Ipê foi cedida em 1987 ao professor e psicólogo Pierre Weil para realizar o seu trabalho holístico e estendê-lo a todos os que já estavam preparados. Pierre foi presidente do Retiro das Pedras, tentou iniciar o seu trabalho ali, no alto das montanhas de Minas, mas a vida o conduziu para o planalto central.

Agora, estou em frente ao meu painel pintado para o salão principal da Universidade. Lembro-me de quando foi pintado, no meu atelier da fazenda, em cima de uma lona.
Levei tempo realizando este trabalho, que viajou para Brasília enrolado numa vara de bambu.

Eu fazia muito disso. Transportava quadros enormes para São Paulo, Rio e Brasília, enrolados no bambu. Agora vou me lembrando do tempo em que viajava para Brasília a fim de participar de workshops e dinâmicas de grupo.

As aulas holísticas eram dadas anexadas sempre às atividades artísticas, um trabalho de arte coletiva que eu introduzira como forma de integração de todas as energias. Foi a melhor forma de integrar essas energias num todo harmonioso e ao mesmo tempo prazeroso. Criar uma obra coletiva, sem um autor individual, sem comando, apenas dando incentivo e permitindo que a criação surgisse por si própria. Muitas vezes eu ficava exausta porque assimilava aquele conjunto de energias, mas o resultado final era ótimo, valorizando-se mais o processo do que o resultado.

Os baluartes da paz nos chegam quando nos empenhamos num trabalho de arte. Eles nos chegam silenciosos, dentro de cada um de nós. Leio o texto da Unesco, colocado em frente ao prédio da Unipaz:
“Uma vez que as guerras nascem no espírito dos homens, é no espírito dos homens que devem ser erguidos os baluartes da paz.”
A pedido de Pierre, submeti-me a um concurso para dar aulas em Brasília, na Universidade da Paz. Entrei com o meu currículo e usei o meu livro, “Os caminhos da Arte”, como roteiro da minha atuação na Universidade. Lembro-me de todas as sequencias desse concurso.

Agora estou mais uma vez em Brasília, revendo o passado.
Passamos pela cachoeira para tirar fotos. A cachoeira fica perto de uma construção de madeira com uma varanda. Ali ministramos vários workshops e assistimos muitas aulas.
O que aprendemos começa a fazer parte de nós mesmos. Somos todos Um, não existe separatividade entre as pessoas. Energetica e espiritualmente estamos ligados a tudo que existe, à água que cai em cascata muito branca, às árvores, às plantas, à vegetação do cerrado, às montanhas, aos mares, ao vento, às nuvens. Somos todos partes de um Todo.

Pierre tentou chegar à Unidade, reunindo psicologia, ecologia, religião, filosofia. Teve o mesmo insight holístico que eu tive também no Retiro das Pedras.
Ele morava na rua de baixo, mas recebeu também, na mesma ocasião, a mesma inspiração. Era preciso divulgar a integração que existe entre os seres humanos, a natureza, o universo. O meu modo de distribuir essas ideias foi um pouco através da palavra, mas principalmente através da forma, da cor e do incentivo à criação.
As artes plásticas ajudam também e Deus nos favoreceu com este canal de difusão da Paz.

José Aparecido soube compreender a visão de Pierre e aqui estamos na Granja do Ipê, frente à cachoeira, lembrando o passado e refletindo sobre o futuro.
Meu livro “Os caminhos da Arte” revela esta visão holística, este insight recebido numa madrugada em minha casa do Retiro das Pedras.

Agora me lembro: debaixo dessas árvores, sentada também num tronco de árvore, cantamos o Gayatri mantra, lembrando o workshop realizado no pátio em frente. Tingimos serragem com as cores básicas na véspera do evento.
No dia, 150 pessoas se reuniram no pátio. Seria vivenciada a dança de Shiva, o deus dançarino que criou o universo. Dividimos o grupo, distribuímos bolinhas de gude para representar as estrelas. Eram 500 bolinhas que foram divididas para os 150 participantes. Cada um segurava suas bolinhas e, ao comando de Shiva e ao toque de um tambor, elas eram jogadas no chão.
Uma pessoa riscava com giz o trajeto das bolinhas e os espaços eram preenchidos com serragem colorida. Ao final, uma grande Mandala foi criada, com dança e muita reverência. Usamos como trilha sonora a música I Ching, do grupo UAKTI.

Dançamos em torno da Mandala, e, sem nenhum comando, surgiu uma dança indígena improvisada, utilizando flechas retiradas do bambuzal em frente.
Sentir a Unidade através da arte é uma experiência fundamental.
Essas lembranças nos remetem ao passado, mas também se situam no agora, no presente.

A cachoeira continua fluindo, em cascatas, sempre seguindo o seu curso. Vai levando o passado e levará também o presente. Debaixo do bambuzal posso escrever melhor e perceber que um outro workshop holístico está sendo realizado dentro da cabana. Estamos esperando a Lydia, que já nos acenou da janela da cabana e nos fez sinal de espera. Pierre Weil já se foi para outro plano, ficou o Crema. Hoje há sempre gente trabalhando aqui, na educação, na psicologia, na espiritualidade, na arte.
A Unipaz foi uma conquista, que ela continue a dar seus frutos.
Aqui, neste lugar, sentimos florescer a paz.

*Fotos de Maurício Andrés


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terça-feira, 29 de agosto de 2017


CAMILLE CLAUDEL

Hoje vou falar
Da grande surpresa
Que todos
Tivemos
Ao ver a Ivana
No palco
Representando
Camille Claudel.
Realmente  é
Surpreendente
Ver uma peça
Tão dramática
Representada
Por Ivana.
Ela consegue
Transmitir
Para a plateia
A alma e
O sofrimento
De uma artista
Plástica
Que sofre a
Rejeição e
O abandono
Das pessoas
Que ela mais
Ama.
Camille Claudel
Foi grande
Na arte
E grande no
Sofrimento.
Suas cartas
Seus diários
Denunciaram
O sentimento
De ser
Injustiçada
E rejeitada
Afetivamente
E profissionalmente.
Camille Claudel
Viveu em Paris
Seu nome surgiu
Do impacto
De suas esculturas
Que ficaram famosas
Depois de sua morte.
Aconteceram mostras
E o mundo inteiro
Conheceu a
Grandeza
De sua arte
Mas a artista
Incompreendida
E rejeitada
Terminou seus dias
Num manicômio.
As cenas do teatro
Comovem o espectador
Porque são
Extremamente verdadeiras.
Ivana Andrés
Dirigida por
Luciano Luppi
Apresentou um espetáculo
De grande autenticidade.
Dramático
E sensível
Ele comove
O espectador
Interpretando
Uma realidade
Mais profunda
Escondida nos
Labirintos
Do ser humano.
Teatro é vida
E a vida ali está
Para denunciar
E promover mudanças.
Ivana neste espetáculo
Mostra o seu potencial
Dentro das diversas
Formas de arte
Desenhista, cantora
Cenógrafa
Dramaturga
E agora intérprete.
Esta forma multimídia
De fazer arte
É uma característica
Do século XXI.

*Fotos de Carolina Lobo

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017


KING, O ENTALHADOR

Cada instante criador corresponde à intensidade de um momento de vida. Ele é o esquecimento do passado com todo o acúmulo de conhecimentos e o despertar do presente em plenitude e riqueza. 
O ato de criação é um ato de presença. Criar é viver no presente. Neste aqui e agora, estão contidas nossas vivências individuais, enriquecidas das vivências do mundo a que pertencemos. 
Esse mundo está conosco, não podemos nos separar dele. O momento criador, quando vivido intensamente, é um retorno à Unidade Inicial. É, portanto, um momento de intensa alegria. Por meio da intuição, as ideias se harmonizam. 
A intuição é a claridade que vem de dentro de nós mesmos e não buscada fora, em ensinamentos. Desperta num momento inesperado, quando se transcende o pensamento lógico. 

O encontro intuitivo do artista com a totalidade é traduzido de forma admirável nos versos de Chuang Tzu, o poeta do Taoísmo:

O entalhador de madeira
Khing, o mestre entalhador, fez uma armação
Para os sinos,
De maneira preciosa. Quando terminou,
Todos  que aquilo viram ficaram surpresos.
Disseram
Que devia ser obra de espíritos.
O príncipe de Lu disse ao mestre entalhador:
“Qual é o seu segredo?”
Khing respondeu: “Sou apenas operário:
Não tenho segredos. Há só isso:
Quando comecei a pensar no trabalho que me
Ordenaste,
Em ninharias, que não vinham ao caso.
Jejuei, a fim de pôr
Meu coração em repouso.
Depois de jejuar três dias,
Esqueci-me do lucro e do sucesso.
Depois de cinco dias,
Esqueci-me do louvor e das críticas.
Depois de sete,
Esqueci-me do meu corpo
Com todos os seus membros.
Nessa época, todo o pensamento de Vossa Alteza
E da corte se esvanecera,
Tudo aquilo que me distraía do trabalho
Desaparecera.
Eu me recolhera ao único pensamento
Da armação do sino.
Depois, fui à floresta
Ver as árvores em sua própria condição natural.
Quando a árvore certa apareceu a meus olhos,
A armação do sino também apareceu, nitidamente,
Sem qualquer dúvida.
Tudo o que tinha a fazer era esticar a mão
E começar.
Se eu não houvesse encontrado esta determinada
Árvore,
Não haveria
Qualquer armação para o sino.”
“O que aconteceu?”
“Meu próprio pensamento unificado
Encontrou o potencial escondido na madeira;
Deste encontro ao vivo surgiu a obra
Que você atribui aos espíritos.”

Esse poema de Chuang Tzu descreve a preparação do artista para o trabalho. É preciso um longo e cuidadoso preparo, mas também esvaziamento da mente. (trecho do meu livro “Os caminhos da Arte”, Editora C/Arte, 2015)

*Fotos da internet


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segunda-feira, 14 de agosto de 2017


VOANDO NO AZUL

A mancha de cor percorre
Os grandes
Espaços interplanetários.
Descobre astros e planetas
Estrelas nunca vistas
Mas sentidas.
A cor desliza pela tela
Com transparências.
Voos pelo infinito
Encontros inesperados.
A terra é azul
Dizia Gagarin
Pioneiro do espaço.
Estamos no espaço
Voando no azul.
Azul ultramar
Azul de cobalto
Azul phytalocianini
(que nome difícil para um azul tão transparente!)
Há azuis opacos
E azuis transparentes.
Adoto os dois
Vou navegando
Pelo espaço
Voando no azul.
O mar é azul
Por muitos anos a fio
Naveguei por mares azuis.
Os azuis se misturam
Aos amarelos.
As vezes um pouco
De terra
Para aterrissar.
Da minha caixa de cores
Tiro azuis e amarelos
Verdes, cinzas, brancos
E vou lembrando e modificando
A famosa frase de Maurice Denis:
“Um quadro não significa
Uma mulher nua
Ou uma natureza morta
Ou um retrato,
Mas para o pintor
É uma superfície plana
Recoberta de cores, linhas,
Formas, que se ajustam
Numa certa ordem”.
Esta frase de Maurice Denis
É compreendida por todos nós
Que lidamos com as tintas.

*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017


A RIBALTA DE LUCIANO LUPPI


Fios espalhados
Pelo chão
Máquinas
Holofotes
Projetores
Câmeras
Ipads.
Gente
Para administrar
Os aparelhos
Gente atenta
Filmando.
Observo
O que acontece
Com a filmagem
Por detrás
Da cena.
Como dá trabalho
Produzir um programa de TV!
Na minha casa
Improvisaram
O cenário
para filmar Luciano Luppi
No programa Ribalta
Da TV Minas.
Vejo as cenas
Por detrás das cenas.
Luciano está no centro
De boné.
Ivana está ao seu lado.
Pedro Paulo Cava
Faz parte da cena
E lembra Galileu Galilei
Quando Luciano era aplaudido
Em cena aberta.
Ivana lembra outras cenas
Cartas Poéticas
Em cartaz há 21 anos.
Lembro de outras cenas:
Luciano interpretando
Capuleto
Pai de Julieta
Do Romeu.
E Fernando Pessoa
Grande poeta português
Um dia interpretado
Com grande expressividade
No meu Instituto.
Filmes, novelas da Globo
E o Teatro
A grande paixão do Luciano.
Mais que o teatro, só a Ivana.
E Ribalta termina
Com um beijo
Cinematográfico.

*Fotos de arquivo

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